Mais de um ano depois da despedida do Príncipe das Trevas, Kelly conta que a família decidiu levar Ozzy de volta para casa e permanecer ao seu lado por alguns dias antes do funeral.
Mais de um ano depois da morte de Ozzy Osbourne, novos detalhes começam a revelar como foram os momentos mais privados vividos pela família após a perda do Príncipe das Trevas.
Em uma nova entrevista à revista britânica “HELLO!”, Kelly Osbourne contou que, após a morte do pai, a família tomou uma decisão profundamente pessoal: em vez de encaminhá-lo imediatamente para um necrotério, Ozzy foi levado de volta para casa.
Ali, longe das multidões, das câmeras e das homenagens públicas que tomariam Birmingham alguns dias depois, os Osbourne tiveram tempo para viver o luto de maneira reservada.
Segundo Kelly, a família permaneceu alguns dias ao lado de Ozzy e pôde organizar sua despedida da maneira que considerava correta.
Era o adeus ao homem por trás do personagem.
Antes de existir novamente o Príncipe das Trevas diante do mundo, existia John Michael Osbourne diante de sua família.
UMA DESPEDIDA LONGE DO MUNDO
Kelly resumiu aqueles dias de maneira bastante direta ao explicar que o pai não foi levado para um necrotério.
Ele voltou para casa.
A família pôde permanecer perto dele, viver o luto em seu próprio tempo e cuidar pessoalmente dos detalhes que antecederiam sua despedida.
A revelação acrescenta uma dimensão completamente diferente aos acontecimentos que o público acompanhou em julho de 2025.
Para os fãs, aqueles dias foram marcados por homenagens, flores, músicas e uma enorme mobilização em Birmingham.
Para Sharon, Kelly, Jack, Aimee e os demais familiares, entretanto, existiu primeiro uma despedida que ninguém viu.
E talvez tenha sido justamente esse período de privacidade que tornou possível enfrentar tudo o que viria depois.
17 DIAS ENTRE O ÚLTIMO SHOW E A MORTE DE OZZY
A história se torna ainda mais impactante quando lembramos da velocidade com que tudo aconteceu.
Em 5 de julho de 2025, Ozzy conseguiu realizar aquele que havia se transformado em seu grande objetivo nos últimos anos: subir ao palco mais uma vez.
“Back to the Beginning”, realizado no Villa Park, em Birmingham, foi muito além de um simples show.
Ozzy voltou a cantar diante de sua cidade.
Grandes nomes do rock e do heavy metal participaram da celebração.
E, finalmente, Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy Osbourne dividiram novamente o palco como Black Sabbath.
Sentado em seu trono devido às limitações físicas que enfrentava, Ozzy realizou sua despedida.
Dezessete dias depois, em 22 de julho, ele morreu aos 76 anos.
O que ninguém sabia naquele momento era que a família ainda viveria alguns dias extremamente particulares antes de compartilhar definitivamente aquela perda com o restante do mundo.
DE CASA PARA BIRMINGHAM
No dia 30 de julho, a despedida privada começou a se transformar em uma homenagem pública.
O cortejo de Ozzy percorreu Birmingham, cidade onde tudo havia começado.
Milhares de fãs tomaram as ruas.
O trajeto passou por locais ligados à história do cantor e do Black Sabbath até chegar à região da Broad Street.
No Black Sabbath Bridge, Sharon, Kelly e Jack deixaram os veículos para observar de perto a quantidade impressionante de flores, cartas, fotografias e mensagens acumuladas pelos fãs.
Era uma cena completamente diferente daquela vivida dentro de casa poucos dias antes.
Agora Ozzy pertencia novamente ao mundo.
O CARINHO DOS FÃS AJUDOU A FAMÍLIA
Na mesma entrevista, Kelly falou sobre algo que talvez explique por que aquela passagem pelas ruas de Birmingham se tornou tão importante.
A quantidade de carinho recebida depois da morte de Ozzy teve um impacto enorme sobre os Osbourne.
Cartas. Flores. Presentes. Mensagens.
A família recebeu e leu as manifestações enviadas pelos fãs e, sempre que conseguiu, procurou agradecer.
Para Kelly, esse apoio teve um papel fundamental naquele período.
O mundo estava dizendo adeus a uma lenda do heavy metal.
A família estava tentando sobreviver à ausência de um marido, pai e avô.
Essas duas formas de luto acabaram se encontrando.
“ELE SEMPRE SERÁ AQUELE GAROTINHO DE ASTON”
Existe outra declaração de Kelly que ajuda a compreender como a família enxergava Ozzy de maneira muito diferente do restante do planeta.
Para milhões de pessoas, ele era uma figura gigantesca.
O vocalista original do Black Sabbath. Um dos homens que ajudaram a construir o heavy metal. O Madman. O Príncipe das Trevas.
Um personagem que atravessou gerações e se tornou reconhecido mesmo por pessoas que nunca compraram um disco de heavy metal.
Para Kelly, entretanto, o pai nunca pareceu compreender completamente a dimensão de sua própria importância.
Na visão dela, Ozzy continuava sendo, no fundo, aquele garoto de Aston.
O homem que saiu de uma região operária de Birmingham e terminou sua história como um dos personagens mais reconhecidos da cultura popular mundial.
KELLY TAMBÉM REVELOU A DIMENSÃO DO PRÓPRIO LUTO
A entrevista não ficou restrita aos acontecimentos imediatamente posteriores à morte.
Kelly falou também sobre aquilo que veio depois. E deixou claro que o processo está longe de terminar.
Ela reconheceu que a morte do pai mudou sua vida permanentemente e que não acredita que voltará a ser exatamente a pessoa que era antes de 22 de julho de 2025.
Mais de um ano depois, a reconstrução continua acontecendo aos poucos.
O tempo também permitiu que ela falasse publicamente sobre um período em que não estava bem, inclusive sobre as críticas que recebeu relacionadas à sua aparência enquanto enfrentava o luto.
Hoje, Kelly afirma estar melhor e recebendo o apoio de que necessita.
DUAS DESPEDIDAS PARA O MESMO HOMEM
Talvez a revelação de Kelly ajude a compreender melhor os acontecimentos daquele julho de 2025.
Existiram, de certa maneira, duas despedidas de Ozzy Osbourne.
A primeira aconteceu em silêncio.
Dentro de casa. Sem multidões. Sem câmeras. Sem Black Sabbath. Sem “Crazy Train”. Sem o personagem que o acompanhou durante praticamente toda a vida adulta.
Apenas uma família tentando encontrar tempo para se despedir de alguém que amava.
Depois veio a segunda.
Birmingham. As ruas tomadas por fãs. O cortejo. As flores. O Black Sabbath Bridge. As homenagens. E finalmente o funeral privado.
Uma despedida pertencia à família. A outra pertencia ao mundo.
ANTES DO PRÍNCIPE DAS TREVAS, EXISTIA O PAI
É justamente isso que torna o relato de Kelly tão significativo.
Durante décadas, praticamente tudo relacionado a Ozzy Osbourne ganhou dimensões gigantescas.
Os discos. Os shows. As histórias. As polêmicas. O morcego. O Black Sabbath. O Ozzfest. “The Osbournes”.
Até sua despedida dos palcos aconteceu diante de um estádio lotado e de alguns dos maiores nomes da música pesada.
Mas seus primeiros dias depois da morte seguiram uma lógica completamente diferente.
A família escolheu o silêncio. Escolheu a casa. Escolheu o tempo.
Antes que Birmingham pudesse se despedir de seu filho mais famoso e antes que milhões de fãs pudessem dizer adeus ao Príncipe das Trevas, os Osbourne tiveram alguns dias para se despedir simplesmente de Ozzy.
Para Kelly, de seu pai.
Para Sharon, do homem com quem compartilhou mais de quatro décadas de vida.
E talvez essa seja uma das imagens mais humanas reveladas até agora sobre os últimos capítulos da história de Ozzy Osbourne.
Por alguns dias, antes de retornar uma última vez a Birmingham e pertencer novamente ao mundo, Ozzy ficou apenas com sua família.