Quando Ozzy Osbourne apareceu diante de dezenas de milhares de pessoas no Villa Park, em Birmingham, na noite de 5 de julho de 2025, o público sabia que testemunhava uma despedida. O que quase ninguém compreendia era o tamanho do risco envolvido para que ela acontecesse.

Sentado em um enorme trono preto, fisicamente debilitado, Ozzy cantou músicas da carreira solo e depois recebeu Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward para a última apresentação da formação original do Black Sabbath. Dezessete dias depois, em 22 de julho, morreria aos 76 anos.

Mais de um ano após aquela noite, Kelly Osbourne revelou que o pai havia sido alertado sobre os riscos extremos de realizar o show. Em entrevista ao podcast We Need To Talk with Paul C. Brunson, publicada em 15 de setembro de 2026, resumiu a advertência de forma brutal: fazer a apresentação poderia custar sua vida.

OZZY SABIA QUE SUA SITUAÇÃO ERA MUITO MAIS GRAVE

A declaração reforça informações reveladas anteriormente por Sharon Osbourne. Cerca de duas semanas antes do evento, médicos teriam deixado claro que a condição de Ozzy era extremamente grave e recomendado que ele não se apresentasse.

O trono não era apenas um elemento teatral ligado à imagem do Príncipe das Trevas. Era uma solução necessária para permitir que sua voz, e não sua mobilidade, fosse o centro da despedida.

DUAS SEMANAS ANTES, OZZY FOI HOSPITALIZADO

A família revelou posteriormente que ele havia sido internado aproximadamente duas semanas antes do espetáculo. A informação foi mantida em segredo, enquanto nos bastidores existia uma corrida delicada para simplesmente conseguir levá-lo ao palco.

Além do Parkinson, Ozzy enfrentava consequências de problemas na coluna, sucessivas cirurgias e limitações físicas que haviam praticamente encerrado sua capacidade de realizar turnês convencionais. O Back to the Beginning seria uma única noite, construída ao redor de suas possibilidades.

“EU QUERO IR DO MEU JEITO”

Segundo Sharon, diante da informação de que poderia ter apenas semanas ou meses, Ozzy argumentou que continuaria morrendo independentemente do prazo e queria partir do próprio jeito. Ele não acreditava estar saudável nem escondia suas limitações. Queria estar diante dos fãs uma última vez, agradecer e encerrar a carreira conscientemente.

KELLY: “ERA TUDO O QUE ELE QUERIA”

Para Kelly, o esforço de Sharon foi decisivo. A mãe tornou possível o último grande desejo do marido: subir ao palco mais uma vez e dizer aos fãs quanto era grato pela vida que eles haviam permitido que tivesse.

Foram meses de planejamento, preocupações médicas, ensaios adaptados e incerteza. No Villa Park, porém, o projeto se transformou na despedida que Ozzy tentava alcançar havia anos.

NÃO ERA APENAS O ÚLTIMO SHOW DE OZZY

Pela primeira vez em aproximadamente duas décadas, os quatro integrantes originais do Black Sabbath estariam juntos: Ozzy, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. A turnê “The End” havia terminado em Birmingham em 2017 sem Ward. Ainda faltava a imagem dos quatro fundadores reunidos.

UM DIA INTEIRO PARA DIZER OBRIGADO

Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Pantera, Gojira, Alice in Chains e muitos outros participaram da celebração. Birmingham tornou-se o centro do heavy metal durante um dia e mostrou a Ozzy, ainda em vida, a dimensão do caminho que ele e o Sabbath ajudaram a abrir.

PRIMEIRO, A DESPEDIDA SOLO

Ozzy surgiu sentado no trono e realizou um pequeno set dedicado à carreira solo. Aquele momento encerrava a trajetória iniciada com “Blizzard of Ozz”, construída ao lado de Randy Rhoads, Bob Daisley, Lee Kerslake, Jake E. Lee, Zakk Wylde e tantos outros. O corpo estava fragilizado; a identidade permanecia.

DEPOIS, TONY, GEEZER E BILL VOLTARAM PARA CASA

O encerramento pertenceu ao Black Sabbath. A formação original tocou “War Pigs”, “N.I.B.”, “Iron Man” e “Paranoid”. O público sabia que aquele era o último show da banda, mas não que jamais existiria sequer uma possibilidade distante de reconsideração.

TRÊS DIAS ANTES DA MORTE, UMA CONVERSA DIFERENTE

Kelly contou ainda que, apenas três dias antes da morte, o pai quis deixar claro que, independentemente de tudo o que acontecesse na vida dela, existia alguém que a amava exatamente como ela era: ele.

Ela percebeu algo diferente e pediu que Ozzy não falasse como se estivesse se despedindo. Depois da morte, aquelas palavras assumiram outro significado.

O SHOW NÃO FOI A CAUSA DA MORTE

A advertência médica não estabelece que a apresentação tenha causado a morte de Ozzy 17 dias depois. Ele já estava gravemente doente e enfrentava múltiplos problemas de saúde. Os relatos demonstram que havia preocupação de que o esforço pudesse ser perigoso — não uma conclusão médica sobre causa e efeito.

POR QUE AQUELA NOITE ERA TÃO IMPORTANTE?

Durante anos, datas foram anunciadas, adiadas e canceladas. Para alguém que passara a vida adulta diante de plateias, desaparecer por causa da doença não era a despedida desejada. O Villa Park oferecia a chance de escolher o último momento em Birmingham, perto de Aston, onde tudo começara.

“ELE CONSEGUIU DIZER ADEUS”

Para Kelly, esse é o elemento que permanece acima dos demais. O pai conseguiu agradecer, demonstrar amor pelos fãs, tocar com o Black Sabbath original e voltar a Birmingham enquanto ainda podia sentir a resposta do público.

Ozzy não subiu ao palco porque acreditava ter vencido seus problemas de saúde. Subiu sabendo que talvez estivesse perto do fim.

Na última noite de sua vida sobre um palco,
Ozzy Osbourne pôde finalmente dizer adeus.